segunda-feira, 20 de julho de 2009
EMBARCO NA ONDA

Embarco na onda... Feliz dia do amigo pra todos vocês!
Não sou muito chegada a dia disso, dia daquilo não. Mas já recebi trocentas mensagens me desejando felicidades neste dia e de pessoas queridas me jurando amizade eterna. Fiquei feliz mesmo. Retribuo aqui neste post, muito rapidamente. po Um beijo pra vcs. todos, meus amigos queridos de hoje, de ontem e, quem sabe, de amanhã. O tempo nos torna cada vez mais seletivos mas neste particular a vida sempre me reserva gratas surpresas. Já sei que vou passar o dia lembrando dos muitos amigos que já se foram e das histórias que vivemos juntos. Saudades daqueles com quem não posso conviver tão de perto como gostaria. Que bom a gente ter agora a internet, que dribla a até então implacável geografia que nos afastava tão irremediavelmente. Estamos juntos de novo e isso é bom demais.
SONETO

Soneto
Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
E tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!
Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na monumentalidade do NÃO SER!
Augusto dos Anjos
domingo, 19 de julho de 2009
DÚVIDA
TESTAMENTO DO POETA

Testamento do Poeta
Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
Não sou dos que se aceita... a não ser mortos.
Demais, já desisti de quaisquer portos;
Não peço a vossa esmola de mendigos.
O mesmo vos direi, sonhos antigos
De amor! olhos nos meus outrora absortos!
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
Que fostes o melhor dos meus pascigos!
E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje
Que tudo e todos vejo reduzidos,
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.
Para reaver, porém, todo o Universo,
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!....
Basta-me o gesto de contar um verso.
José Régio
ENVOI

Envoi
Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz
Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.
Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.
Ezra Pound
sexta-feira, 17 de julho de 2009
DEPOIMENTO

DEPOIMENTO
De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não. Nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.
A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
E lutei ferozmente noite e dia,
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder
Miguel Torga
A ÚLTIMA CANTIGA

A última cantiga
Num dia que não se advinha,
meus olhos assim estarão:
e há de dizer-se: "Era a expressão
que ela ultimamente tinha."
Sem que se mova a minha mão
nem se incline a minha cabeça
nem a minha boca estremeça
- toda serei recordação.
Meus pensamentos sem tristeza
de novo se debruçarão
entre o acabado coração
e o horizonte da língua presa.
Tu, que foste a minha paixão,
virás a mim, pelo meu gosto,
e de muito além do meu rosto
meus olhos te percorrerão.
Nem por distante ou distraído
escaparás à invocação
que, de amor e de mansidão,
te eleva o meu sonho perdido.
Mas não verás tua existência
nesse mundo sem sol nem chão,
por onde se derramarão
os mares da minha incoerência.
Ainda que sendo tarde e em vão,
perguntarei por que motivo
tudo quanto eu quis de mais vivo
tinha por cima escrito "Não".
E ondas seguidas de saudade,
sempre na tua direção,
caminharão, caminharão,
sem nenhuma finalidade.
Cecília Meireles
quinta-feira, 16 de julho de 2009
EXISTEM PEDRAS...
VOZES

Grita o vento nos muros da noite
como reflexos de espelhos partidos.
Há um ruído de coisas magoadas
lembrando madrugadas enfermas.
O vento e o ruído acelerando cadencias
são como garças
em tardes eróticas.
Só as luzes se repetem.
Só os sons se beijam
em baladas insanas.
Há pegadas escondidas
entre alamedas tranqüilas
enquanto
o tédio, a busca e a lassidão
ainda se aninham.
Alvina Nunes Tzovenos
In: Palavras ao Tempo
AS CHAVES

As Chaves
Felizes os homens que tem as chaves
porque só encontram portas abertas...
Como podem tantos homens dormir sossegados e felizes
de portas fechadas,
quando essas portas se fecham para tantos homens
que ficam sempre ao relento
e nunca podem entrar?
Neste mundo de tantas portas,
quando teremos cada um, a sua chave,
e a sua hora de voltar?...
J. G. de Araujo Jorge
terça-feira, 14 de julho de 2009
...SE NÃO LEMBRARES...
CONVITE

Convite
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Lya Luft
segunda-feira, 13 de julho de 2009
QUANDO A PRIMAVERA VOLTAR
domingo, 12 de julho de 2009
CONFISSÕES DA ALMA

É no silêncio que minh'alma canta
Toda alegria incontida em mim.
Se vem tristeza, ela mesma espanta,
Eu sou feliz tendo essa alma assim.
Do meu passado só boas lembranças,
No meu presente sonho e fantasia.
Hoje, maduro, faço-me criança
A cavalgar em busca de alegria.
É nesse tempo que a vida se solta,
Sem ter mais tempo pra curtir revolta,
E vai seguindo sempre mais adiante...
Vamos lançar sementes no caminho,
Não reclamar das pedras e espinhos,
E colher flores quando for a volta.
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
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