sábado, 25 de julho de 2009
Trailer - Coração Vagabundo, o filme.
Trailer do documentário Coração Vagabundo de Fernando Grostein Andrade, produzido por Paula Lavigne e Raul Dórea. O filme mostra a intimidade do cantor e compositor Caetano Veloso durante turnê do disco "A Foreing Sound", quando o cantor fazia shows por São Paulo, Nova York, Tokyo e Kyoto.
Categoria: Filmes e desenhos
JÁ NÃO TENHO LÁGRIMAS
sexta-feira, 24 de julho de 2009
POEMA ANTIGO

Poema antigo
O homem que percorro
com as mãos
e a lua que concebo
na altitude
do tédio
Só
o oceano
penso paralelo - ventre
à praia intata
das janelas brancas
com silêncio
ciclamens-astros
entre as vozes que
calaram para sempre
o verbo - bússola
com raiz - grito de relevo
O homem que percorro
com as mãos
a estátua que consinto
a lua que concebo.
Maria Tereza Horta
MÃOS
PORQUE

Porque
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
IGUAL-DESIGUAL

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
Carlos Drummond de Andrade
O BEIJO DA NOITE
NOITES, ESTRANHAS NOITES, DOCES NOITES

Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.
Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.
A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.
Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!
Augusto Frederico Schmidt
quinta-feira, 23 de julho de 2009
...uma cidadezinha

Era um lugar em que Deus ainda acreditava na gente...
Verdade que se ia à missa quase só para namorar
mas tão inocentemente que não passava de um jeito,
um tanto diferente, de rezar enquanto, do púlpito,
o padre clamava possesso contra pecados enormes.
Meu Deus, até o Diabo envergonhava-se. Afinal de contas,
não se estava em nenhuma Babilônia... Era só uma cidade pequena,
com seus pequenos vícios e suas pequenas virtudes: um verdadeiro
descanso para a milícia dos Anjos com suas espadas de fogo.
- Um amor! Agora, aquela antiga cidadezinha está dormindo
para sempre em sua redoma azul, em um dos museus do Céu.
Mário Quintana
quarta-feira, 22 de julho de 2009
IMPOSSÍVEL

Impossível
Sozinho não posso
carregar um piano
e menos ainda um cofre-forte.
Como poderia então
retomar de ti meu coração
e carregá-lo de volta?
Os banqueiros dizem com razão:
"Quando nos faltam bolsos,
nós que somos muitíssimo ricos,
guardamos o dinheiro no banco".
Em ti
depositei meu amor,
tesouro encerrado em caixa de ferro,
e ando por aí
como um Creso contente.
É natural, pois,
quando me dá vontade,
que eu retire um sorriso,
a metade de um sorriso
ou menos até
e indo com as donas
eu gaste depois da meia-noite
uns quantos rublos de lirismo à toa.
Vladimir Mayakovsky
terça-feira, 21 de julho de 2009
ALMAS INDECISAS

Almas indecisas
Almas ansiosas, trêmulas, inquietas,
Fugitivas abelhas delicadas
Das colméias de luz das alvoradas,
Almas de melancólicos poetas.
Que dor fatal e que emoções secretas
vos tornam sempre assim desconsoladas,
Na pungência de todas as espadas,
Na dolência de todos os ascetas?!
Nessa esfera em que andais, sempre indecisa,
Que tormento cruel vos nirvaniza,
Que agonias titânicas são estas?!
Por que não vindes, Almas imprevistas,
Para a missão das límpidas Conquistas
E das augustas, imortais Promessas?!
Cruz e Sousa
PASSAPORTE
segunda-feira, 20 de julho de 2009
CINEMA BRASILEIRO
ERA UMA VEZ...
O filme estréia agora dia 25 de julho nos cinemas.
Sinpose: O filme gira em torno de uma história de amor impossível, entre André, um jovem morador do moro do Cantagalo, no bairro de Ipanema, e Nina, uma menina nascida e criada na Av. Vieira Souto, a mais valorizada da região do Rio de Janeiro. O romance de Dé ( Thiago Martins) e Nina (Vitória Frate) evoca a história de Romeu e Julieta. O fator impeditivo (e trágico) ao amor, que na trama shakesperiana tem a forma da rivalidade entre as famílias Montecchio e Capuleto, no filme é dado pelo fosso econômico e social entre os amantes. O diretor Breno Silveira (“Os dois filhos de Francisco”) busca um outro ângulo para abordar o confronto entre o morro e o asfalto no Rio de Janeiro.
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