terça-feira, 8 de setembro de 2009
DOLORES

Dolores
Hoje me deu tristeza,
sofri três tipos de medo
acrecido do fato irreversível:
não sou mais jovem.
Discuti política, feminismo,
a pertinência da reforma penal,
mas ao fim dos assuntos
tirava do bolso meu caquinho de espelho
e enchia os olhos de lágrimas:
não sou mais jovem.
As ciências não me deram socorro,
não tenho por definitivo consolo
o respeito dos moços.
Fui no Livro Sagrado
buscar perdão pra minha carne soberba
e lá estava escrito:
"Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada,
se tornou capaz de ter uma descendência..."
Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objetos de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentaram os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas
não recusam casamento, antes acham sexo agradável,
condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã.
Uma tal esperança imploro a Deus.
Adélia Prado
domingo, 6 de setembro de 2009
BRASIL RUMO AO HEXA


Rumo Ao Hexa
Vamos todos brasileiros
Torcer pela seleção
Unidos numa só vontade
De ser hexacampão.
O Brasil fica parado
Em frente a televisão
Torcendo e vibrando
Pela nossa seleção.
Não tem rico, não tem pobre
Somos uma só nação
Batalhando na África do Sul
Pra se hexacampeão.
Vai com garra!
Vai com raça!
Vai jogando um bolão
Conquistando mais uma taça
Pra alegria do povão.
Vai com garra!
Vai com raça!
Vai jogando um bolão
Conquistando mais uma taça
Para nossa coleção
AD
ARGENTINA 1 X BRASIL 3
sábado, 5 de setembro de 2009
FRAGA E SOMBRA

Fraga e sombra
A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.
Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.
Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.
E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.
Carlos Drummond de Andrade
O VERDADEIRO AMIGO
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Á HORA EM QUE OS CISNES CANTAM ...

Á HORA EM QUE OS CISNES CANTAM ...
Nem palavras de adeus, nem gestos de abandono.
Nenhuma explicação. Silêncio. Morte. Ausência.
O ópio do luar banhando os meus olhos de sono ...
Benevolência. Inconseqüência. Inexistência.
Paz dos que não tem fé, nem carinho, nem dono ...
Todo perdão divino e a divina clemência!
Oiro que cai dos céus pelos frios do outono ...
Esmola que faz bem ... – nem gestos, nem violência ...
Nem palavras. Nem choro. A mudez. Pensativas
Abstrações. Vão temores de saber. Lento, lento
Volver de olhos, em torno, augurais e espectrais ...
Todas as negações. Todas as negativas.
Ódio? Amor? Lê? Tu? Sim Não? Riso? Lamento?
- Nenhum mais. Ninguém mais. Nada mais. Nunca mais ...
Cecília Meireles
MODINHA

Modinha
Por sobre a solidão do mar
a lua flutua;
e uma ternura singular
palpita em cada coração.
Só tu não vens trazer alívio ao trovador
que vai tangendo apaixonado
as cordas da triste lira
que suspira desmaiando, suplicando o teu amor.
Eu te suplico, te imploro, te rogo,
prostrado aos teus pés com fervor
o teu sorriso de criança.
Vê: vou gemendo de dor
e na esperança de um dia melhor
unido a ti, tu és toda a fé que eu perdi
Mostra o semblante sedutor
acalma minh`alma!
concede ao menos a este amor
a doce esmola de te ver
e o coração tão infeliz por te adorar
perdido embora de desejo
bem sabe que não merece a maravilha do teu beijo
pede apenas um olhar…
Manuel Bandeira
TOMARA
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Valparaiso - Sting
Valparaiso,Dedicado aos alunos de nautica que morreram,no naufrágio do veleiro escola "Barracuda" em 1962 por uma burrasca em Valparaiso-Chile.Foi a música do filme "Fazer um homem"
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
EMBALO

Embalo
Adormeço em ti minha vida,
- flor de sombra e de solidão -
da terra aos céus oferecida
para alguma constelação.
Não pergunto mais o motivo,
não pergunto mais a razão
de viver no mundo em que vivo,
pelas coisas que morrerão.
Adormeço em ti minha vida,
imóvel, na noite e sem voz.
A lua, em meu peito perdida,
vê que tudo em mim somos nós.
Nós! - E no entanto eu sei que estão
brotando pela noite lisa
as lágrimas de uma canção
pelo que não se realiza...
Cecília Meireles
We Will Survive: Igudesman & Joo + Kremer & Kremerata
Fantástica interpretação de "I will survive" por artistas russos.
É uma brincadeira realizada por verdadeiros músicos de música clássica.
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