Escola... Marche... As praias do Brasil ensolaradas Lá lá lá lá...
O chão onde país se elevou A mão de Deus abençoou Mulher que nasce aqui Tem muito mais amor
O Céu do meu Brasil tem mais estrelas O sol do meu país, mais esplendor A mão de Deus abençoou Em terras brasileiras vou plantar amor
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo Meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil Eu te amo, meu Brasil, eu te amo Ninguém segura a juventude do Brasil
As tardes do Brasil são mais douradas Mulatas brotam cheias de calor A mão de Deus abençoou Eu vou ficar aqui, porque existe amor
No carnaval, os gringos querem vê-las Num colossal desfile multicor A mão de Deus abençoou Em terras brasileiras vou plantar amor
Adoro meu Brasil de madrugada, lá, lá, lá, lá. Nas horas que eu estou com meu amor,lá,lá,lá,lá. A mão de Deus abençoou. A minha amada vai comigo aonde eu for.
As noites do Brasil tem mais beleza, lá, lá, lá, lá. A hora chora de tristeza e dor, lá, lá, lá, lá. Porque a natureza sopra e ela vai-se embora enquanto eu planto amor.
Eu te amo meu Brasil, eu te amo. Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil. Eu te amo meu Brasil, eu te amo.
Não fiques triste: já vem vindo a noite quando veremos sobre a terra esbranquiçada a Lua fria, como que a rir-se por dentro, e então descansaremos de mãos dadas.
Não fiques triste: já vem vindo o tempo quando teremos sossego. Nossas cruzinhas estão erguidas juntas na margem clara da vida, chove e neva, e os ventos vem e vão.
De tudo o que se pode guardar guarde o silêncio objetos são perecíveis palavras... dispensáveis o silêncio é enfático e duradouro ainda que por alguns instantes
a reflexão é do silêncio o ancoradouro fere com estacas pontiagudas a alma das palavras serpenteia como lâminas cortantes
o silêncio é grilo falante quando se colhe sentimentos filho da verborragia corta o ar como uma cotovia
nos versos da poesia o silêncio é chama intrépida travestido de palavras em seda fria som estrepitoso ecoa solitário nas cavernas da mente
entre palavras e palavras a pausa colossal do silêncio é brado veemente lacuna onde se deita o que não é dito ou dito de modo surpreendente no suspiro abafado no canto dos olhos no sorriso embotado
brada o silêncio o que os pulmões condensam revela o que os seres mais sensíveis pensam faz imenso barulho em mim é começo e é o fim...
O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
Onde está meu quintal amarelo e encarnado, com meninos brincando de chicote-queimado, com cigarras nos troncos e formigas no chão, e muitas conchas brancas dentro da minha mão?
E Júlia e Maria e Amélia onde estão?
Onde está meu anel e o banquinho quadrado e o sabiá na mangueira e o gato no telhado?
- a moringa de barro, e o cheiro do alvo pão? E a tua voz, Pedrina, sobre meu coração? Em que altos balanços se balançarão?...
Em 7 de agosto de 1942, nasce Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, o quinto dos sete filhos de José Telles Velloso, funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Velloso. Em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador.
Força estranha
Eu vi um menino correndo eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino, eu pus os meus pés no riacho. E acho que nunca os tirei. O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei. Eu vi a mulher preparando outra pessoa O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga. A vida é amiga da arte É a parte que o sol me ensinou. O sol que atravessa essa estrada que nunca passou. Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha no ar. Por isso é que eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha. Eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece. Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são. É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão. Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos Estive no fundo de cada vontade encoberta, e a coisa mais certa de todas as coisas. Não vale um caminho sob o sol. E o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol. Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha no ar. Por isso é que eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha. Caetano Veloso
"Eu gosto de delicadeza, seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia-a-dia e até no que não é dito com palavras, mas fica no ar..."