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terça-feira, 30 de abril de 2013

O Poema

 
 
O poema nasce nu.
Tento vesti-lo com palavras.
O que escrevo nada mais é do que vestimenta rudimentar
que minhas mãos conseguem compor para o poema de minha alma.
Creio que nunca conseguirei mostrar a poesia em seu estado original.
Talvez porque não seja capaz de senti-la essencialmente.
Que versos escreverei que possa encantar,
se nada em minha alma rima com o que vejo?
Vejo? Sim, com olhos da alma, vejo.
É tudo tão novo e denso. Tão antigo e sutil. Tão vibrante e calmo.
Que poema surgirá de onde não há rimas,
de onde ainda não nasceram palavras?
Palavras são pedras que tateio a esculpir um poema.
Mas o poema não está nas pedras, que são poemas de Deus.
Poemas são colheitas da alma.
Colho a poesia na noite. A noite mata-me as horas.
O poema vive, nu.

Eu, a morrer de poesia.

Helen Drumond

sexta-feira, 26 de abril de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Não Liga, Não


Não liga não! a vida é mesmo assim.
Há tempo de chegar, de ir embora,
há tempo de sorrir, para quem chora,
tempo de ser começo e de ser fim.

Planta rosa vermelha no jardim
e esquece o preto-e-branco que há lá fora.
Aquece o coração, cantando, agora,
um soneto, ao amor dizendo "sim"!

Não liga não! A vida tem seu preço:
a cada novo fim, novo começo.
Recomeça a viver o amor, então!

Se voltar a vivê-lo não tem jeito
renasce o amor antigo no teu peito,
E se ela não voltar, não liga não!

Ronaldo Cunha Lima

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nuvens

 
 
Nuvens
desmanchadas em gotas
procuram o chão,
ressequido,
como quem procura
destino feliz.

E neste destino
descobre carências
e sonhos
e sede.

Completam-se, assim,
como nunca,
busca e espera,
saudades e presença.

Destinos!

AC Rangel

domingo, 14 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Ben Visbeek


. O fotógrafo holandês Ben Visbeek é o autor destas belíssimas fotos.
Enquanto quase todos os europeus esperam ansiosamente pelo fim do inverno, o fotógrafo holandês Ben Visbeek aproveita o momento de outra forma: traz a beleza - cada vez mais banalizada - da estação para o mundo inteiro por meio de suas fotografias. Visbeek fotografa praticantes de esportes de inverno, traduzindo assim a beleza da interação homem-natureza.




domingo, 7 de abril de 2013

O Gosto da Vida



O gosto da vida
Sinto que a minha mocidade refloresce.
Desejo aquele vinho que me dá calor e alegria...
Quero vinho...
Dizes que é amargo?
Não importa.
Tem o gosto da vida.


Omar Kháyyám,
trad. Cecília Meireles

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cântico Negro






“A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
...
Sei que não vou por aí!”


José Régio


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Como a Coruja é vista em alguns países do mundo:

África do Sul A coruja é a mascote do feiticeiro zulu. E no xamanismo é reverenciada por enxergar a totalidade. Argélia Há a crença de que colocar o olho direito de uma coruja na mão de uma mulher dormindo fará com que ela conte tudo. Austrália Os aborígenes acreditam que a coruja representa o espírito da mulher. O espírito do homem é representado pelo morcego. Babilônia Origem do mito de Lilith, onde amuletos de coruja protegiam as mulheres durante o parto. O mito foi citado pela primeira vez no épico Gilganesh, escrito em 2000 a.C. Lilith era uma linda jovem com pés de coruja, que denunciavam sua vida notívaga. Ela era uma vampira da curiosidade, que dava aos homens o desejado leite dos sonhos. Brasil Cantada por Tom Jobim em Águas de Março, Matita Perê é uma velha vestida de preto, com os cabelos caídos pelo rosto. Diz a lenda que ela tem poderes sobrenaturais e prefere aparecer nas noites sem luar, sob a forma de uma coruja. Na tradição guarani, o espírito Nhamandu, o criador, manifestou-se na forma de coruja para criar a sabedoria. No dicionário, o adjetivo corujeiro é um tremendo elogio. Significa alguém ou algo excelente, agradável e, o melhor, disposto a tudo. Na linguagem popular, mãe coruja (ou avó coruja, tia coruja, pai coruja) é a mãe que acha seu filho o máximo, embora ele possa estar bem longe disso. China A coruja está associada ao relâmpago. Colocar efígies de coruja em casa protege contra os raios. Estados Unidos Entre os índios americanos, a coruja tinha muito poder: Para os apaches, sonhar com ela significava a morte. Os dakotas viam a coruja como um espírito protetor. Os hopis tinham a coruja como guardiã do fogo. França A coruja é o símbolo de Dijon, cidade francesa. Há uma escultura de coruja na Catedral de Notre Dame, e quem passa a mão esquerda nela ganhar sabedoria e felicidade. Grécia Atena, a deusa da sabedoria e da guerra, ficou tão impressionada com a aparência da coruja que a tomou como sua ave favorita. Corujas faziam seus ninhos na Acrópole. Os gregos achavam que sua visão noturna vinha de uma luz mágica. Ela era um símbolo da cidade de Atenas, ao lado dos exércitos na guerra. As antigas moedas gregas (dracmas) tinham uma coruja cunhada no verso. Os romanos também acreditavam que, antes da batalha, quando uma coruja sobrevoa os soldados, era um sinal de vitória. Para elevar o moral das tropas, um general romano soltou corujas que pousaram sobre os elmos e escudos dos legionários. As tropas, animadas, capturaram Cartago em 310 a.C. Inglaterra A coruja branca servia para que os ingleses pudessem prever o tempo. Quando ouviam-na guinchar, significava que o tempo iria esfriar ou que uma tempestade estava chegando. Os curandeiros ingleses curavam a bebedeira e a conseqüente ressaca com ovos de coruja. Crus. O costume britânico de pregar uma coruja na porta do celeiro para espantar o mal durou até o século XIX Marrocos O Olho de uma coruja preso em um cordão no pescoço é um excelente talismã. Peru Cozido de coruja serve de remédio para quase tudo. Roma Antiga Ouvir o pio de uma coruja era presságio de morte iminente. As mortes de Júlio César, Augusto, Aurélio e Agripa foram anunciadas por uma coruja. A cena aparece na versão treatal Júlio César, de William Shakespeare. O bardo inglês ainda citaria a asa da coruja na poção de Macbeth. Fonte de pesquisa: http://www.entrementes.com.br/cont/cont_view.asp?cat_id=12&sub_id=46&cont_id=67 FONTE: Diálogo Médico, n.2, mar./abr. 2005. por Lu Gomes.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Ruído do Fim

Uma canção inacabada, o nosso amor Serena melodia muda Olhos molhados, cor de poesia Letra rabiscada na canção do dia-a-dia Mil rosas pisadas, pétalas caídas Aos seus pés Desprezo cifrado, canção em dor maior Poeta rejeitado nas noites distraídas Seresteiro abandonado, esvaziado de melodia No som de seus nãos acorrentado Dolorido em agonia Rima pobre, poema rico de sofrer Um ruído descompassado, a falta de você Música e poesia quebradas Notas e letras rasuradas Pelo barulho inaudível da sua ausência. Por Juliana Guida Maia

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dúvida

Duvida da luz dos astros, De que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, Mas confia em meu amor. William Shakespeare

sábado, 12 de janeiro de 2013

Vazio

Há certos dias Que sinto em min’alma Um vazio infinito, Um vazio sem sentido, Um vazio indefinível, Vazio dos ventos e procelas, Vazio que vem de longe Cuja origem desconheço, Maior, Muito maior que a solidão... Há certos momentos Que sinto dentro de mim Um vazio talvez originário das vagas, Dos grandes mares E que às vezes me inunda, Quase me faz soçobrar... Há certas horas Que sinto dentro de mim Um vazio que se agiganta, Diante do qual me sinto pequenino E comparo este vazio tão grande Ao vazio da hora do adeus... Mas existe,sim, Um vazio, Muito maior do que todos os vazios, E que se alojam no âmago dos corações, O vazio imenso da saudade!... Olimpyades Guimarães Corrêa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sairei....

Sairei de mim mesmo, Em busca das melodias Esquecidas na memória. Em busca dos instantes, De total abandono e beleza. Em busca dos milagres, Ainda não acontecidos. Vinicius de Moraes

domingo, 6 de janeiro de 2013

Repouso

Somos quem se apresse. Do tempo a passada tornai-a por nada no que permanece. Tudo o que acelera foi depressa e vão, no que fica espera nossa iniciação. Ao tentardes voo, juvenil ardor não gasteis em vão. Tudo repousou: o livro e a flor, luz e escuridão. R. M. Rilke,

sábado, 5 de janeiro de 2013

Inverno

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Barcarola

Parti-me, trágico, ao meio De mim mesmo, na paixão. A amiga mostrou-me o seio Como uma consolação. Dormi-lhe no peito frio De um sono sem sonhos, mas A carne no desvario Da manhã, roubou-me a paz. Fugi, temeroso, ao gesto Do seu receio modesto E cálido; enfim, depois Pensando a vida adiante Vi o remorso distante Desse crime de nós dois. Barcarola, Vinícius de Moraes

sábado, 29 de dezembro de 2012

Deita-te...

Dei-te a solidão do dia inteiro. Na praia deserta, brincando com a areia, No silêncio que apenas quebrava a maré cheia A gritar o seu eterno insulto, Longamente esperei que o teu vulto Rompesse o nevoeiro
. Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Arbustos

Áspero amor, violeta coroada de espinhos... Arbusto entre tantas paixões erguidas, Lança das dores, coroa da ira, Por quais caminhos e como te dirigiu a minha alma? Por que precipitaste o teu fogo doloroso, Repentinamente, entre as folhas frias do meu caminho? Quem te ensinou os passos que te levaram a mim? Que flor, que pedra, que fumaça mostraram a minha casa? A verdade é que tremeu a noite apavorante, A aurora encheu todas as taças com seu vinho E o sol estabeleceu a sua presença celeste, Enquanto o amor cruel me cercava sem trégua, Até que padecendo-me com espadas e espinhos, Abriu meu coração um caminho ardente. Pablo Neruda

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012