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segunda-feira, 10 de junho de 2013

10 de Junho - Dia de Camões - Dia de Portugal -


 
Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;

Resença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;

Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:

Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Lugar - Comum

 
 
Quisera ser de teu sonho
a âncora firme,
o porto visível,
o norte constante.
Quisera ser, de tua esperança,
a luz brilhante,
o caminho aberto,
a estrada segura.
 
Quisera ser, de tua canção,
a nota certa,
o verso indispensável,
o aplauso constante.
Se não, ao menos
um lugar comum qualquer
mas teu.
Donald Malschtzky
In Cabeça de Vento

 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Agenda

 
 
 
Toda manhã
anoto uma lista
de coisas por fazer:

contas a pagar
cartas, e-mails, telefonemas
carinhos que responder
livros, palestras, entrevistas
ginástica, compras
remédios, terra, flores
consertos domésticos
desculpas, culpas
livros que ler e escrever.

Olho o que arquivo:
- o ontem só cresce
não há pasta que o contenha.
Melhor seria dissolvê-lo
ignorá-lo sem etiqueta
sem tentar decodificá-lo
entendê-lo.

Vai começar a girândola
de um novo dia.
Ponho o sol na alma
vejo da janela
- a lagoa e o mar.

Olho o presente, o futuro.
Mas o passado, que não passa
como agendar?

Affonso Romano de S'Antanna,

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Livro...

 
O livro é a casa
onde se descansa
do mundo.

O livro é a casa
do tempo,
é a casa de tudo.

Mar e rio
no mesmo fio,
água doce e salgada.

O livro é onde
a gente se esconde
em gruta encantada.

Roseana Murray

sábado, 25 de maio de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

domingo, 19 de maio de 2013

Alma Serena

 
 
Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.

Fernanda de Castro

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quando Te Dói a Alma

 
 
Quando estás descontente,
quando perdes a calma
e odeias toda a gente,
quando te dói a alma,

quando sentes, cruel,
o prazer da vingança,
quando um sabor a fel
te proíbe a esperança,

quando as larvas do tédio
te embotam os sentidos,
e o mal é sem remédio
e a ninguém dás ouvidos,

nega, recusa a dor,
abandona o deserto
das almas sem amor
e mergulha o olhar
em tudo o que está certo,
o mar, a fonte, a flor. "

Fernanda de Castro

segunda-feira, 13 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Borboletas Brancas

 
Borboletas brancas
pairam
no útero da tarde
 
libertam
o Sonho oculto
no seio da Saudade.

 
Dora Gago

domingo, 5 de maio de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

O Poema

 
 
O poema nasce nu.
Tento vesti-lo com palavras.
O que escrevo nada mais é do que vestimenta rudimentar
que minhas mãos conseguem compor para o poema de minha alma.
Creio que nunca conseguirei mostrar a poesia em seu estado original.
Talvez porque não seja capaz de senti-la essencialmente.
Que versos escreverei que possa encantar,
se nada em minha alma rima com o que vejo?
Vejo? Sim, com olhos da alma, vejo.
É tudo tão novo e denso. Tão antigo e sutil. Tão vibrante e calmo.
Que poema surgirá de onde não há rimas,
de onde ainda não nasceram palavras?
Palavras são pedras que tateio a esculpir um poema.
Mas o poema não está nas pedras, que são poemas de Deus.
Poemas são colheitas da alma.
Colho a poesia na noite. A noite mata-me as horas.
O poema vive, nu.

Eu, a morrer de poesia.

Helen Drumond

sexta-feira, 26 de abril de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Não Liga, Não


Não liga não! a vida é mesmo assim.
Há tempo de chegar, de ir embora,
há tempo de sorrir, para quem chora,
tempo de ser começo e de ser fim.

Planta rosa vermelha no jardim
e esquece o preto-e-branco que há lá fora.
Aquece o coração, cantando, agora,
um soneto, ao amor dizendo "sim"!

Não liga não! A vida tem seu preço:
a cada novo fim, novo começo.
Recomeça a viver o amor, então!

Se voltar a vivê-lo não tem jeito
renasce o amor antigo no teu peito,
E se ela não voltar, não liga não!

Ronaldo Cunha Lima

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nuvens

 
 
Nuvens
desmanchadas em gotas
procuram o chão,
ressequido,
como quem procura
destino feliz.

E neste destino
descobre carências
e sonhos
e sede.

Completam-se, assim,
como nunca,
busca e espera,
saudades e presença.

Destinos!

AC Rangel

domingo, 14 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Ben Visbeek


. O fotógrafo holandês Ben Visbeek é o autor destas belíssimas fotos.
Enquanto quase todos os europeus esperam ansiosamente pelo fim do inverno, o fotógrafo holandês Ben Visbeek aproveita o momento de outra forma: traz a beleza - cada vez mais banalizada - da estação para o mundo inteiro por meio de suas fotografias. Visbeek fotografa praticantes de esportes de inverno, traduzindo assim a beleza da interação homem-natureza.




domingo, 7 de abril de 2013

O Gosto da Vida



O gosto da vida
Sinto que a minha mocidade refloresce.
Desejo aquele vinho que me dá calor e alegria...
Quero vinho...
Dizes que é amargo?
Não importa.
Tem o gosto da vida.


Omar Kháyyám,
trad. Cecília Meireles

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cântico Negro






“A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
...
Sei que não vou por aí!”


José Régio