quarta-feira, 17 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O Teu Perfume...
"O teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas; e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas."
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas; e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas."
...
Maria do Rosário Pedreira
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Chove muito, chove excessivamente…
Chove e de vez em quando faz um vento frio…
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.
Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela, de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu «ah nesse tempo eu era mais feliz»
Ou pensarei «ah, que tempo triste foi aquele»!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?…
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração…
Álvaro de Campos
sábado, 15 de junho de 2013
Festa
Desdobrei a minha orfandade
sobre a mesa, como um mapa.
Desenhei o meu itinerário
até ao meu lugar ao vento.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E bebi licores furiosos
para transmutar os rostos
num anjo, em copos vazios.
Alejandra Pizarnik
trad. Alberto Augusto Miranda
sobre a mesa, como um mapa.
Desenhei o meu itinerário
até ao meu lugar ao vento.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E bebi licores furiosos
para transmutar os rostos
num anjo, em copos vazios.
Alejandra Pizarnik
trad. Alberto Augusto Miranda
terça-feira, 11 de junho de 2013
E partirei...
…E partirei. E ficarão os pássaros
cantando;
e ficará o meu quintal, com a sua árvore verde
mais o seu poço branco.
O céu, todas as tardes estará azul e calmo;
e tocarão, como esta tarde estão tocando
os sinos do campanário.
Irão morrendo aqueles que me amaram;
e a cada ano se fará novo o meu povoado;
e no tal recanto do meu quintal florido e calado
o meu espírito vagueará, nostálgico…
Eu partirei; e ficarei só, sem lar, sem a árvore
verde, sem o poço branco
sem o céu azul e calmo…
E ficarão os pássaros cantando.
juan ramón jiménez
In poemas agrestes/1911
cantando;
e ficará o meu quintal, com a sua árvore verde
mais o seu poço branco.
O céu, todas as tardes estará azul e calmo;
e tocarão, como esta tarde estão tocando
os sinos do campanário.
Irão morrendo aqueles que me amaram;
e a cada ano se fará novo o meu povoado;
e no tal recanto do meu quintal florido e calado
o meu espírito vagueará, nostálgico…
Eu partirei; e ficarei só, sem lar, sem a árvore
verde, sem o poço branco
sem o céu azul e calmo…
E ficarão os pássaros cantando.
juan ramón jiménez
In poemas agrestes/1911
segunda-feira, 10 de junho de 2013
10 de Junho - Dia de Camões - Dia de Portugal -
Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;
Resença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;
Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:
Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;
Resença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;
Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:
Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.
Luís Vaz de Camões
(1524-1589)
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Lugar - Comum
Quisera ser de
teu sonho
a âncora firme,
o porto visível,
o norte constante.
Quisera ser, de
tua esperança,
a luz brilhante,
o caminho
aberto,
a estrada
segura.
Quisera ser, de
tua canção,
a nota certa,
o verso
indispensável,
o aplauso
constante.
Se não, ao menos
um lugar comum
qualquer
mas teu.
Donald
Malschtzky
In Cabeça de
Vento
segunda-feira, 3 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Agenda
Toda manhã
anoto uma lista
de coisas por fazer:
contas a pagar
cartas, e-mails, telefonemas
carinhos que responder
livros, palestras, entrevistas
ginástica, compras
remédios, terra, flores
consertos domésticos
desculpas, culpas
livros que ler e escrever.
Olho o que arquivo:
- o ontem só cresce
não há pasta que o contenha.
Melhor seria dissolvê-lo
ignorá-lo sem etiqueta
sem tentar decodificá-lo
entendê-lo.
Vai começar a girândola
de um novo dia.
Ponho o sol na alma
vejo da janela
- a lagoa e o mar.
Olho o presente, o futuro.
Mas o passado, que não passa
como agendar?
Affonso Romano de S'Antanna,
anoto uma lista
de coisas por fazer:
contas a pagar
cartas, e-mails, telefonemas
carinhos que responder
livros, palestras, entrevistas
ginástica, compras
remédios, terra, flores
consertos domésticos
desculpas, culpas
livros que ler e escrever.
Olho o que arquivo:
- o ontem só cresce
não há pasta que o contenha.
Melhor seria dissolvê-lo
ignorá-lo sem etiqueta
sem tentar decodificá-lo
entendê-lo.
Vai começar a girândola
de um novo dia.
Ponho o sol na alma
vejo da janela
- a lagoa e o mar.
Olho o presente, o futuro.
Mas o passado, que não passa
como agendar?
Affonso Romano de S'Antanna,
terça-feira, 28 de maio de 2013
O Livro...
O
livro é a casa
onde se descansa
do mundo.
O livro é a casa
do tempo,
é a casa de tudo.
Mar e rio
no mesmo fio,
água doce e salgada.
O livro é onde
a gente se esconde
em gruta encantada.
Roseana Murray
onde se descansa
do mundo.
O livro é a casa
do tempo,
é a casa de tudo.
Mar e rio
no mesmo fio,
água doce e salgada.
O livro é onde
a gente se esconde
em gruta encantada.
Roseana Murray
sábado, 25 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Alma Serena
Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.
Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.
Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.
Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.
Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.
Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.
Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Quando Te Dói a Alma
Quando estás descontente,
quando perdes a calma
e odeias toda a gente,
quando te dói a alma,
quando sentes, cruel,
o prazer da vingança,
quando um sabor a fel
te proíbe a esperança,
quando as larvas do tédio
te embotam os sentidos,
e o mal é sem remédio
e a ninguém dás ouvidos,
nega, recusa a dor,
abandona o deserto
das almas sem amor
e mergulha o olhar
em tudo o que está certo,
o mar, a fonte, a flor. "
Fernanda de Castro
quando perdes a calma
e odeias toda a gente,
quando te dói a alma,
quando sentes, cruel,
o prazer da vingança,
quando um sabor a fel
te proíbe a esperança,
quando as larvas do tédio
te embotam os sentidos,
e o mal é sem remédio
e a ninguém dás ouvidos,
nega, recusa a dor,
abandona o deserto
das almas sem amor
e mergulha o olhar
em tudo o que está certo,
o mar, a fonte, a flor. "
Fernanda de Castro
segunda-feira, 13 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
O Poema
O poema nasce nu.
Tento vesti-lo com palavras.
O que escrevo nada mais é do que vestimenta rudimentar
que minhas mãos conseguem compor para o poema de minha alma.
Creio que nunca conseguirei mostrar a poesia em seu estado original.
Talvez porque não seja capaz de senti-la essencialmente.
Que versos escreverei que possa encantar,
se nada em minha alma rima com o que vejo?
Vejo? Sim, com olhos da alma, vejo.
É tudo tão novo e denso. Tão antigo e sutil. Tão vibrante e calmo.
Que poema surgirá de onde não há rimas,
de onde ainda não nasceram palavras?
Palavras são pedras que tateio a esculpir um poema.
Mas o poema não está nas pedras, que são poemas de Deus.
Poemas são colheitas da alma.
Colho a poesia na noite. A noite mata-me as horas.
O poema vive, nu.
Eu, a morrer de poesia.
Helen Drumond
Tento vesti-lo com palavras.
O que escrevo nada mais é do que vestimenta rudimentar
que minhas mãos conseguem compor para o poema de minha alma.
Creio que nunca conseguirei mostrar a poesia em seu estado original.
Talvez porque não seja capaz de senti-la essencialmente.
Que versos escreverei que possa encantar,
se nada em minha alma rima com o que vejo?
Vejo? Sim, com olhos da alma, vejo.
É tudo tão novo e denso. Tão antigo e sutil. Tão vibrante e calmo.
Que poema surgirá de onde não há rimas,
de onde ainda não nasceram palavras?
Palavras são pedras que tateio a esculpir um poema.
Mas o poema não está nas pedras, que são poemas de Deus.
Poemas são colheitas da alma.
Colho a poesia na noite. A noite mata-me as horas.
O poema vive, nu.
Eu, a morrer de poesia.
Helen Drumond
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