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segunda-feira, 7 de junho de 2010
ESTRANHA ENCRUZILHADA

Não sei por que cruzou com a tua a minha estrada,
o destino é inconsciente e não sabe o que faz...
- Encontro-te, e afinal, já sei que tu és amada,
encontras-me, e afinal, já é bem tarde demais...
Já não posso esquecer a existência passada,
perdi meu coração - o amor não tenho mais...
- já não tens coração, e a tua alma, coitada,
sofrendo há de ficar sem me esquecer jamais...
Até hoje nesse amor não tínhamos pensado:
é por isso talvez que em silêncio tu choras,
e em silêncio também meu pranto é derramado
Eu cheguei... Tu chegaste... Estranha encruzilhada:
se eu tenho que partir depois que tu me adoras,
se, tu tens que ficar sabendo-te adorada!...
J G de Araújo Jorge
CONVIVÊNCIA
TERRAS DO PECADO

Removo as Terras do pecado
Que tremem de aflição
Ao longo da ponte que susténs
O desejo de amarmo-nos
Debaixo de olhos que reprimem
Que ardem em chamas de cavernas
Defendidas por um credo inexistente
De corpo trespassado pelo tempo
Repouso-te imperturbável
Com desejos inesperados de amantes
Numa estrada sem luz.
by Jorge Pereira
CORDAS DO AMANHÃ
domingo, 6 de junho de 2010
INDIFERENÇA
EU , NO ESPELHO...

Eu no espelho:
atentas, nós duas,
rostos que excedem nossa imagem,
estendemos a mão, espalmamos os dedos nesse pó
de gelo. Sabemos: quando eu mergulhar daqui,
e do seu lado, ela,
hão de girar ao sopro da voragem
todos os meus sonhos, e os sonhos dela.
Labirinto de espelhos, reflexos de reflexos,
eu e ela continuamos sós.
Lya Luft
MÁGOAS
Oh! Oceano imenso do prazer
Afogue-me todas as mágoas do meu peito.
Lance sobre mim as ondas douradas
Que por veemência peço acalento.
Ressuscite a minha esperança.
Dispa-me de toda amargura.
Esta demência que pulsa... pulsa...
Tédio, que definha solitário.
Oh! Imagem sofrida.
Enfeitiçada pela inocência.
Que o sopro suave do mar
Traga-lhe de volta o sorriso.
Carlucio O. Bicudo
OUTRO DIA

O melro canta,
e já quase me é indiferente…
Mas sempre é uma voz
que se distingue,
aflautada e fresca,
entre os ruídos ingratos
da manhã:
pregões de jornais,
apitos, carros…
Um vapor parte;
ouve-se aquela sua zoada
sem timbre,
soprada e grave,
falha de harmonia…
Melro, canta!
Tenho o coração murcho
e triste…
Irene Lisboa
INQUIETUDE DO MEU SILÊNCIO
É o tempo...
Quem escrevo com lágrimas
Onde de negro coração
Na inquietude do silêncio
Nas horas do desagrado
Revolta do meu sonhar
Pintaram o percurso por onde nos arrastam.
Agora que amanhce
Da noite fui companheiro
E no laço da amizade
Na muralha do pensamento
Retrato o que te embriaga a vida
Adulterando todos os prepositos
Os designios no templo de nossa vida.
by Jorge Pereira
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