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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Anoitecer


Obra de José Andrade - Andradarte -

O Sol aos poucos
vai lentamente
Adormecendo no horizonte.
O lusco fusco do entardecer
precede a escuridão
que virá para envolver
as cores do dia
que se finda.
Algumas flores
fecharão suas pétalas
à espera
de uma nova luz.
No entanto
a majestosa Lua,
Deusa encantadora
dos amantes
reinará em companhia
das estrelas cintilantes.
No entanto um poema
surge nas páginas da inspiração
para trazer de tema
momentos de recordação.
Um sonho
dentre tantos no sonhar.
Uma certeza
de que o amanhecer
vai chegar
e quem sabe essa luz
traga esperança
para o sonho realizar...


(Ruben Alves Vieira)

RUI VELOSO - Já Não Há Canções De Amor -

Janelas Abertas


Janelas abertas

Sim
Eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou
Nem se devo voltar

Sim
Eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer
E me serenizar

Ah
Eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria
Uma casa vazia
Sem luz nem calor

Mas
Quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir iluminar nosso amor


(Tom Jobim - Vinicius de Moraes)

Mais Real


"Mais real que fazer da vida
um sonho, é fazer do sonho uma
vida, pois nem sempre temos a
vida que sonhamos, mais sempre
teremos um sonho para viver."


William Shakespeare

Dormir Um Pouco


Homenagem a Federico García Lorca

Dormir um pouco — um minuto,
um século. Acordar
na crista
duma onda, ser
o lastro de espuma
que há no sono
das algas. Ou
ser apenas
a maré, que sempre
volta
para dizer: eu não morri, eu sou
a borboleta
do vento, a flor
incandescente destas águas.


Albano Martins

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ZECA AFONSO - Menina Dos Olhos Tristes -

CARLOS PAREDES - Nas Asas Da saudade -

A Orquídea


A orquídea parece
uma flor viva, uma
boca, e nos assusta.
Flor aracnídea.

Vagamente humana,
boca, embora feita
de inocentes pétalas,
já supõe perfídia.

Já supõe palavra
embora muda
Já supõe insídia.

Que estará dizendo
o lábio quase humano
da orquídea?


Cassiano Ricardo

O Sempre Amor


Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra sabão.
Alegre ou triste,
amor é coisa que mais quero.


Adélia Prado

Certas Paixões


Há amores que florescem sem nunca se buscar
Numa virtualidade ousada e pouco usual
Onde palavras são o toque, o doce manancial
Vibração constante como néctar a gotejar.

Vão num crescente de carinhos e ousadias
Mesmo sem olhos ardentes e lábios sedentos
Uma paixão que esmera-se no correr dos dias
Resguardada por amantes atentos.

Talvez uma ilusão transmutada em sentimento
Tornando a vigília, necessária e constante.
Mas, o amor extraido deste devaneio distante
Fáz-se prazer em seus poucos momentos.


-Helena Frontini-

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Aos Chorões...


Chorões da praia de Belas
Molhando as folhas no rio.,
sois pescadores de estrelas
ao crepúsculo tardio.

O mais velhinho, já torto
ao peso de tantas mágoas
lembra um pensamento absorto
debruçado sobre as águas.

Salgueiros trêmulos, belos,
meus camaradas tão bons,
diz o poeta, violoncelos
onde o vento acorda os sons.

Sois, à beira da enseada,
um bando de poetas boêmios,
e fitais na água espelhada
vossos companheiros gêmeos…

Mas se alguma brisa agita
a copa descabelada,
ondula, salta, palpita
vossa imagem assustada…


Augusto Meyer

Tormentas


Ouço lá fora o ruído da tormenta
e através do emabaciado da vidraça
- vejo um clarão que as nuvens despedaça
ao rimbombar de uma explosão violenta...

Há uma luta de massa contra massa
na amplidão que rasga e se arrebenta,
- e o vento chora, e o vento geme, e o vento passa,
e o vento grita, e o vento brada, e o vento venta...

E eu só... sozinho... este meus versos faço...
- Que bem me faz ver os clarões no além
como nervos de luz brechando o espaço...

E o que sinto - ninguém, certo, advinha,
só eu mesmo, talvez, porque sei bem
que ante essa outra tormenta esqueço a minha !


J.G. Araujo Jorge

Noites Loucas - Noites Loucas!


Estivesse eu contigo
Noites Loucas seriam
Nosso luxuoso abrigo!

Para Coração em porto —
Ventos — são coisas fúteis —
Bússolas — dispensáveis —
Portulanos — inúteis!

Navegando em pleno Éden —
Ah, o Mar!
Quem dera — esta Noite — em Ti
Ancorar!


Emily Dickinson

Este Amor Que Nos Jorra


Este amor que nos jorra – jorra e queima
em paixão que flutua ou já guerreia
contra si próprio se tornado cinza,
contra o destino se tornado areia…
Este amor é dilúvio – é fora e dentro
mesmo se sabendo que é candeia
a esmorecer em bruma, ao fogo lento
de nos deixar a dor quando se enleia
à nossa desrazão, ao fim do entendimento,
à ambígua amarração de luz e de tormento
nestas bolsas de sal às vezes cheias.
Este amor é de carne – é foz patente
de um rio sempre a crescer, sempre na esteira
do que tão perto está mesmo se ausente.

João Rui de Sousa

Hoje...


Hoje acordei com vontade de te ver
Passear pelo teu mistério
mergulhar no teu escuro
Hoje acordei assim
fazia tempo que não sentia
Essa vontade estranha
fazia tempo que não ouvia
Essa dor que arranha
Mas hoje acordei assim
Com esse desejo proibido
De alimentar o tal ruído
E sorrir
Hoje, assim
Não sei
Essa coisa que dá de repente
Quando a gente desperta e já entende
Que o dia será longo...
Vago
E um tanto seco.
Hoje dormirei mais cedo.


(Miguel C.)

SCORPIONS - Believe In Love -

SIMPLE MAN

OCTOPUSSY

PAUL Mc CARTNEY & WINGS - My Love -

domingo, 26 de setembro de 2010

Biografia - Caio Fernando Abreu -


Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.
Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".



Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo.
Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar.
Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura.
Ah, imenso amor desconhecido.
Para não morrer de sede, preciso de você agora,
antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos
ou jogados sem piedade no lixo.
Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste:
preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez.
Como se fosse possível, como se fosse verdade,
como se fosse ontem e amanhã.



"Na terra do coração passei o dia pensando:
-coração meu, meu coração.
Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um orgão, uma coisa.
Ficou só com
-cor, ação-repetido, invertido.
ação, cor-sem sentido-couro, ação e não.
Quis ve-lo, escapava.
Batia e rebatia, escondido, no peito.
Então fechei os olhos, viajei.
E como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapo rajado, viscoso
e cansado, á espera do beijo prometido
capaz de transformá-lo em príncipe."



Quando nada mais houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

(...) e vimos uma margarida
e nem sequer era primavera
e disseste que margarida era amarelo e branco
e eu disse que branco era paz
e disseste que amarelo era desespero
e dissemos quase juntos
que margarida era então desespero
cercado de paz por todos os lados.



"Quero te dar chuva de flores pela manhã.
E quando quiseres podes
vir colher sorrisos
direto do quintal da
minha alma... "


- Caio Fernando Abreu -