Djavan teve uma mulher chamada Maria, os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha...Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas,mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto.Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte.
'Flor de Liz' 'Valei-me, Deus! É o fim do nosso amor Perdoa, por favor, eu sei que o erro aconteceu. Mas não sei o que fez, tudo mudar de vez. Onde foi que eu errei? Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei.
Será talvez que a minha ilusão, foi dar meu coração, com toda força, pra essa moça me fazer feliz, e o destino não quis, me ver como raiz de uma flor de liz. E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira. Morto na beleza fria de Maria.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu. Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu. E o meu jardim da vida ressecou, morreu. Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu...
Nas mãos que eu ergo acima desta ausência. O meu sangue desperta, cria raízes no teu sangue Nos jardins desertos da nossa solidão. As minhas mãos, as tuas mãos, os corpos abraçados E a única cidade construída para o nosso amor: Nua, inquieta. Clandestina. A tua boca no meu peito. Os beijos Demorados. E todos os silêncios. As ruas que eu abri no teu olhar Começam nos meus dedos. Vem, Eu amo-te.
São duas flores unidas São duas rosas nascidas Talvez do mesmo arrebol, Vivendo,no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas das duas asas pequenas De um passarinho do céu... Como um casal de rolinhas, Como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos, Que em parelha descem tantos Das profundezas do olhar... Como o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem pudera Numa eterna primavera Viver, qual vive esta flor. Juntar as rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do amor!
Ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Podem utilizá-lo nos espelhos apagar com ele os barcos de papel dos nossos lagos podem obrigá-lo a parar à entrada das casas mais baixas podem ainda fazer com que a noite gravite hoje do mesmo lado Mas ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Até que o sol degole o horizonte em que um a um nos deitam vendando-nos os olhos.
Uma lâmina de ar Atravessando as portas. Um arco, Uma flecha cravada no Outono. E a canção Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas. E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio. É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza Quando saio para a rua, molhado como um pássaro. Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito. Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede Cumprimenta o sol. Procura-se viver. Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas. Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se Como se, de repente, não houvesse mais nada senão A imperiosa ordem de (se) amarem. Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras. Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos. Não há um nome para a tua ausência. Há um muro Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho Que a minha boca recusa. É outono A pouco e pouco despem-se as palavras.
- Andradarte - Em ti se engrandece a vida! Em ti se repete o mundo E, num confronto fecundo, Em ti começa a subida. . Em ti se resume a esp'rança! Em ti se vive o futuro E, num impulso seguro, Em ti se faz a mudança.
Em ti a paz acontece, Com grande sagacidade E toda a tranquilidade.
Em ti a luz aparece, Em cada olhar, cada gesto, Por mais que seja modesto.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura emoção, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez... Como se fosse possível, como se fosse ontem e amanhã.
Tua figura suave delicada nem parece que vive, parece bordada, - como a boneca de seda de um desenho de uma antiga almofada que eu tenho...
Teus gestos, teus embaraços fazem lembrar finos traços de uma filigrana, e tão frágeis me parecem, tuas mãos, teus braços, que nem sei se és de carne ou se és de porcelana...
Bonequinha de louça linda moça, tua alma é um fio de seda, estou bem certo, e a minha imaginação criou para o teu destino uma lenda encantada:
- jura que tu fugiste de algum livro e que eras a ilustração de uma história de fada ! J.G.Araújo Jorge
Eu queria ser um pássaro Livre e sem ninho Voando pelos espaços da vida Cantando sua música Sem laços, sem sofrimento Queria não ter à noite Os mesmos sonhos que me angustiam Queria não me prender A seres humanos Queria ...ah como queria!
Não cobrar atitudes nem sentimentos Viver apenas do presente O momento Abrir uma garrafa De um licor chamado realidade E me embebedar Até cair inconsciente Numa calçada qualquer da cidade
Eu queria ser um pássaro Saindo em bandos Sem ligações de sentimentos Compartilhando momentos Mas a qualquer hora Sem olhar para trás Alçar um vôo alto Respirando liberdade
Um pássaro livre Sem passado, sem futuro, Sem presente Sem saudade ...
Eu carrego seu coração comigo (Eu o carrego no meu coração) Eu nunca estou sem ele (onde quer que eu vá, você vai; e o que quer que eu faça, eu faço por você)
Eu não temo o destino (porque você é o meu destino) Eu não quero o mundo por mais belo que seja Porque você é meu mundo, minha verdade
e você é o que a lua sempre significou o que o sol sempre cantou
Aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe (aqui está a raiz da raiz, o broto do broto e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce mais alta do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder). Este é o milagre que distancia as estrelas