VISITANTES
quarta-feira, 23 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
Valsa Brilhante

Na sala, música de Chopin:
selvagem música arrebatada.
Brancas de tempo, as javelas brilham;
orna o piano murcha grinalda.
Tu ao piano, ao violino eu,
sem parar vamos tocando, enquanto
ansiamos por ver qual de nós dois
será o primeiro a quebrar o encanto.
Qual de nós dois a meio compasso
detém-se e as luzes de si desvia:
qual dos dois faz primeiro a pergunta
que em resposta se apagaria.
Hermann Hesse
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Para o Fruto...

Para o fruto tende a flor,
para a tarde o amanhecer:
nada é eterno na terra
- salvo o mudar e o des-ser.
Mesmo o mais belo verão
há de em outono murchar:
tem paciência, folha, espera
vir o vento te buscar!
Faz teu papel sem teimar:
suceda o que suceder,
deixa o vento te arrancar
e em tua casa te deixar.
Hermann Hesse (1877-1962)
quarta-feira, 16 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
A saudade
sábado, 12 de maio de 2012
Hoje Estou Triste

Hoje estou triste…Chove a chuva lentamente
molhando a solidão silenciosa e vazia…
Surge uma saudade azul na tarde fria,
que não sabe falar e chora, simplesmente.
Agora um grande zero o meu porvir, havia
e manda prosseguir, sem tropeçar, em frente.
Hoje eu sei que estou triste, o amor, às vezes mente,
expande uma ilusão…. e depois se atrofia.
Meus sonhos só têm pouso em céus muito distantes,
pois com descrenças tão perenes e constantes,
só pensam em fugir e afastam-se daqui.
A vida é uma sucessão de perdas. Envelheço
e a Tristeza, esta sim, sabe o meu endereço.
Tem “adeuses” demais na estrada que escolhi .
Miguel Russowsky
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Anjo Músico

Anjo Músico
Apoiando as asas
no meio do tronco
toca uma ária em violino celeste:
Anjo músico.
Escuta-o pássaro atento.
Ser da floresta
eu também te escuto
Anjo de branca auréola
túnica magenta;
apenas pousas - tu e tua música -
no entrançado da mata
com rombos de sol claríssimo.
Crucifica-te a música
na árvore escolhida
e teus olhos fechados
leem a partitura.
Dora Ferreira da Silva
terça-feira, 8 de maio de 2012
Soneto Inglês
Como o silêncio do punhal num peito,
O silêncio do sangue a converter
Em fio breve o coração desfeito
Que nas pedras acaba de morrer,
Vive em mim o teu nome, tão perfeito
Que mais ninguém o pode conhecer!
É a morte que vivo e não aceito;
É a vida que espero não perder.
Viver a vida e não viver a morte;
Procurar noutros olhos a medida,
Vencer o tempo, dominar a sorte,
Atraiçoar a morte com a vida!
Depois morrer de coração aberto
E no sangue o teu nome já liberto...
Alexandre O´Neill
sábado, 5 de maio de 2012
Pra ti mãe, com carinho...
Mãe
Mãe, hoje eu descobri que eu cresci, é que de repente eu me vi
Tão sozinho na estrada
Mãe, hoje eu precisei de você, eu não sabia o que fazer, me vi
De mãos atadas
Mãe, o que é que a gente faz, quando o sucesso não traz a paz
Que a gente procura?
Mãe, hoje aqui sozinho eu rezei, aqui no meu cantinho eu chorei,
E chorando fiz uma jura
Juro que a partir de hoje eu vou fazer meu tempo, vou ficar mais
Perto do teu sentimento
Vou ficar mais perto mãe do teu amor, juro não deixar jamais a
Minha ambição
Falar tão mais alto que meu coração, se minha riqueza mãe, é o
Teu amor
(refrão)
Mãe, me dá teu colo,
Mãe, mulher que adoro,
Mãe, se existo devo a ti meu respirar
Mãe, tão puro amor de mãe
Que as vezes não me vêm palavras pra expressar
Mãe, pra ti conjugo o verbo amar ....mãe
Mãe, teu conselho me orienta, teu carinho me alimenta
Da paz, do amor, da esperança
Mãe, hoje eu sou um homem eu sei
Mas as vezes que eu chorei, não passei de uma criança
Mãe, o que é que a gente faz, quando o sucesso não traz a paz
Que a gente procura?
Mãe, hoje aqui sozinho eu rezei, aqui no meu cantinho eu chorei,
E chorando fiz uma jura
Juro que a partir de hoje eu vou fazer meu tempo, vou ficar mais
Perto do teu sentimento
Vou ficar mais perto mãe do teu amor, juro não deixar jamais a
Minha ambição
Falar tão mais alto que meu coração, se minha riqueza mãe é o
Teu amor...
(refrão)
Rick e Renner
quinta-feira, 3 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
A Música

A música
acorda
os instantes
amordaçados
pelo silêncio.
A música
ressuscita
teus antepassados
presos
encarcerados
em pedregosa
ausência.
Os avós
de teu anonimato
os pais
de teu desterro
despertam
a vertigem
de astros
alucinantes
a embriaguez
de ocasos inéditos.
O canto
perpetua
a sina
de teu sangue:
memória
esbatida
pelo tropel
das cinzas.
Alexandre Bonafim
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
Sistema Sombrio

De cada um destes dias negros como velhos ferros,
e abertos pelo sol como grandes bois vermelhos,
e apenas sustidos pelo ar e pelos sonhos,
e desaparecidos irremediavelmente e de súbito,
nada substitui as minhas perturbadas origens,
e as desiguais medidas que circulam no meu coração
aí se forjam de dia e de noite, solitariamente,
e abarcam desordenadas e tristes quantidades.
Assim,pois, como um vigia tornado insensível e cego,
incrédulo e condenado a uma dolorosa espreita,
diante da parede na qual cada dia do tempo se une,
os meus rostos diferentes se apóiam e se encadeiam
como grandes flores pálidas e pesadas
tenazmente substituídas e defuntas.
Pablo Neruda
quinta-feira, 26 de abril de 2012
As Cores Do Sol
Ao cair da tarde
Penso sempre mais
E a luz que me invade
São as cores naturais
Cada figura
que passa por mim
nem me perturba
e eu fico assim
Longe me leva este silêncio
e o sentir que se altera
são as cores do sol
E eu fico encantada
e eu sinto-me a arder
quando o dia se apaga
fica tanto por fazer.
Pedro Ayres Magalhães
terça-feira, 24 de abril de 2012
Na Saliva No papel...

Na saliva no papel
no eclipse em todas as linhas
em todas as cores em todas as jarras
no meu peito fora, dentro
no tinteiro na dificuldade de escrever na maravilha dos meus olhos, nas últimas luas do sol (mas o sol não tem luas) em tudo e dizer em tudo é estúpido e magnífico Diego na minha urina Diego na minha boca no meu coração na minha loucura no meu sonho no mata-borrão na ponta da caneta nos lápis nas paisagens na alimentação no metal na imaginação nas doenças nas montras nas suas astúcias nos seus olhos na sua boca nas suas mentiras.
Frida Kahlo
domingo, 22 de abril de 2012
Quando Chegaste
Quando chegaste, os violoncelos
Que andam no ar cantaram hinos.
Estrelaram-se todos os castelos,
E até nas nuvens repicaram sinos.
Foram-se as brancas horas sem rumo.
Tanto sonhadas! Ainda, ainda
Hoje os meus pobres versos perfumo
Com os beijos santos da tua vinda.
Quando te foste, estalaram cordas
Nos violoncelos e nas harpas...
E anjos disseram : – Não mais acordas,
Lírio nascido nas escarpas!
Sinos dobraram no céu e escuto
Dobres eternos na minha ermida.
E os pobres versos ainda hoje enluto
Com os beijos santos da despedida.
Alphonsus de Guimarães
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O Amor A Portugal
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Juan Gatti
Conhece alguma imagem dum poster de um filme de Almodovar? Sim? Mas conhece também o nome Juan Gatti? Pois é ele quem está por detrás desses e de muitos outros trabalhos: um artista que sempre se manteve em plano de fundo, dando destaque às grandes personalidades e empresas para quem trabalha. Para nosso contentamento, Gatti decidiu dar a conhecer-se mais publicamente, do mais comercial ao pessoal. É o caso da coleção “Las ciencias naturales”.


Juan Gatti nasceu em Buenos Aires, em 1950, e tem trabalhado como designer gráfico e fotógrafo desde a sua licenciatura.


Começou na sua cidade natal, em 1978 foi para Nova Iorque, e, desde então, passou por Madrid, onde estabeleceu o seu escritório em 1985.





Juan Gatti nasceu em Buenos Aires, em 1950, e tem trabalhado como designer gráfico e fotógrafo desde a sua licenciatura.


Começou na sua cidade natal, em 1978 foi para Nova Iorque, e, desde então, passou por Madrid, onde estabeleceu o seu escritório em 1985.



segunda-feira, 16 de abril de 2012
A Vida Da Morte

Ouvir chover não mais, sentir-me vivo;
o universo convertido em bruma
e em cima a consciência como espuma
por onde os compassados gestos erivo.
Morto em mim tudo quanto seja activo,
enquanto tudo a visão a chuva esfuma,
e lá em baixo o abismo em que se suma
da clepsidra a água; e o arquivo
desta memória, de lembranças mudo;
o ânimo saciado em inércia forte;
sem lança e por isso já sem escudo,
tudo à mercê dos vendavais da sorte;
este viver, que é viver desnudo,
- não é acaso já o viver da morte?
Miguel de Unamuno
Assinar:
Postagens (Atom)
