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terça-feira, 6 de abril de 2010

TINDERSTICKS - My Oblivion -

ALIQUA - Hallelujah -

RAIO DE LUAR


O luar entrou pela minha janela
e aqueceu o meu coração,
iluminou a minha alma

Mas quantas noites vai este luar durar?
Temo as nuvens e sombras que o vão tapar.
E em quantas mais janelas irá entrar?

Este luar tocou-me bem fundo
transformou-me em estátua
e imobilizou-me para o mundo.

Fica comigo luar!
Sossega o meu ser
acalma o meu pensar!

JP

SER DOIDO-ALEGRE, QUE MAIOR VENTURA


Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

LHASA DE SELA - Rising -

JEANNE CHERHAL - Quand On Est trés Amoureux -

JEANNE CHERHAL - Douze Fois Par An -

ANYWHEN - Movie -

segunda-feira, 5 de abril de 2010

MATSUO BACHÔ



Foi o mestre que deu força à importância e prática do haikai no Japão. Viveu boa parte de sua vida como um andarilho, foi treinado para o zen, utilizou-se de forma discreta da metáfora e nunca se decidiu se queria ou não ser um monge, embora alguns autores sugerem que ele foi de fato um monge em sua vida. Bashô viveu por algum tempo em uma cabana que definitivamente lhe deu o nome com o qual ficou conhecido, Bashô, devido a presença de uma bananeira (bashô, em japonês) existente em alguma área de sua cabana. O clima de Tokyo, no entanto, não é propício para a frutificação da banana e mesmo que Bashô tenha se identificado com a planta, ele próprio deixou milhares de frutos e espalhou pelo mundo esse fenômeno da poesia japonesa, que é o AIKAI. (1644 - 1694)


ALGUNS AIKAIS DE SUA AUTORIA



Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve



Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.


Outono
Empoleirado num ramo seco
um corvo


Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas


Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.


E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?


Matsuo Bashô, O Gosto Solitário do Orvalho,

THOMAS FEINER & ANYWHEN - The Siren Songs -

SENTIDOS



O que posso dizer desse amor quente
que se espalha no corpo da gente
que acende o fogo da paixão
e faz de amor gritar o coração??
O que posso dizer do teu olhar
que me faz levitar
e eu tonta, pronta
pra de amor te fazer gritar?
O que??
O que posso dizer de seus toques
que são como gotas de chuva
na minha pele suada
querendo mais que escorra
e percorra inteiramente
pra ficar mais quente
em contato com a minha pele??
O que posso dizer?
palavras não
sentimentos sim
de amor, de paixão
te tudo
tudo que és pra mim.

Neyde Carvalho

VICENT DELERM - Marine -

VICENT DELERM - Tes Parents -

COMUNHÃO


Reprimirei meu pranto!... Considera
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céu de luz austera!...

— Luz morta! amarga a própria primavera! —
Mas seus pacientes corações lutaram,
Crentes só por instinto, e se apoiaram
Na obscura e heróica fé, que os retempera...

E sou eu mais do que eles? igual fado
Me prende á lei de ignotas multidões. —
Seguirei meu caminho confiado,

Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na comunhão dos nossos pais antigos.


Antero de Quental, in "Sonetos"

ESTAS ALMAS INCERTAS


Quero um mal de morte
A estas almas incertas.
Tortura-as a honra que vos fazem,
Pesam-lhes, dão-lhe vergonha os seus louvores.
Porque não vivo
Preso à sua trela,
Saúdam-me com um olhar agridoce.
Onde passa uma inveja sem esperança.

Ah! Porque não me amaldiçoam!
Porque não me viram francamente as costas!
Aqueles olhos suplicantes e extraviados
Hão-de enganar-se sempre a meu respeito.


Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

TENHO MAIS ALMAS QUE UMA


Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.


Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

THOMAS FEINER & ANYWHEN - All That Numbs You -

JOSH RITTER - Other Side -

JOSH RITTER - Bright Smile -

domingo, 4 de abril de 2010

TUDO PASSA II


O coração não morre: ele adormece...
E antes morresse o coração traído,
Mulher que choras teu amor perdido,
Amor primeiro que não mais se esquece!

Quando tu vais rezar, quando anoitece,
Beijas as contas do colar partido;
E o coração n'um trêmulo gemido
Vem perturbar a paz de tua prece.

Reza baixinho, ó noiva desolada!
E quando, à tarde, pela mesma estrada
Chorando fores esse imenso amor...

Geme de manso, juriti dolente!
Vais acordar o coração doente...
Não o despertes para nova dor.


Auta de Souza