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sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Madrigal
Em Todos Os Jardins

Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.
Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.
Sophia de Mello B. Andresen
Distante Amor

Eu penso em ti quando o fulgor do sol ardente
reluz do mar;
E penso em ti quando a tranquila fonte
espelha o luar.
A ti eu vejo da longínqua estrada
entre a turba e pó;
E, alta noite, por tenebrosa senda,
peregrino e só.
Tua voz me fala entre o fragor da vaga
que vem tombando;
Ou, quando em silêncio, lá na selva erma
te estou escutando.
Contigo estou, de ti tão longe embora.
Estás junto a mim!
Já cai o dia... vêm luzindo os astros...
Ver-te-ei, enfim?
Goethe
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Soneto

Só o coração é alto e doce,
Por entre tantas amarguras,
Por entre ásperas baixezas,
Por entre tantos desprimores.
Só o coração é como um sino,
em velha torre enegrcida,
Úmida,feia,apodrecendo
Prestes a ruir e se perder.
Só o coração canta celebra
Piedade e amor, glória e beleza
Nos ares, lúcidos e frios.
Só o coração procura a vida,
E como um sino plange e canta,
Pelos que vêm pelos que vão!
Augusto Frederico Schmidt
In Poemas para Juventude
Ternura

Esta alegria imensa de querer
sem anseios febris e sem paixão...
Este beijo que toca sem saber
a alma, o pensamento, o coração...
Este enlevo que afaga sem prender;
este olhar que é carícia e é emoção...
Esta felicidade de entender
no silêncio qualquer agitação...
Isto que ninguém sabe se é amor
porque não queima a carne de desejos;
porque não traz loucuras e amargor...
É o que levo sorrindo nos meus beijos;
é o que me faz chorar e é ventura;
é o que oferecem minhas mãos...Ternura!
Vera da Costa Vianna
Orquídea
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Meu Destino

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...
Cora Coralina
Coração É Terra Que Ninguém Vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão
Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
Cora Coralina
Bob Dylan: The Brazil Series
O cantor Bob Dylan vai expôr 40 quadros inspirados no Brasil na National Gallery de Copenhague, na Dinamarca. As obras de "Bob Dylan: The Brazil Series" foram pintadas no estúdio da casa do artista nos Estados Unidos, segundo o curador da exposição.Em nota do museu, Dylan disse que escolheu o Brasil como tema porque esteve muitas vezes no país e gosta da sua atmosfera.A crítica foi severa com a exposição dos novos quadros do cantor americano, considerando que não merecem ser exibidos no maior museu da Dinamarca.








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